Humor: começou a temporada de perigo no mar…

Para o abastecimento de diesel do meu veleiro, naveguei até o Iate Clube, e acabei presenciando uma situação inusitada que não posso deixar de relatar – e que, apesar de preocupante, também é hilária… Quando terminei de abastecer, apareceu uma lancha de 25 pés com dois casais e um bebê chorando a bordo. Ao se aproximar do píer, o rapaz do posto pediu para que o capitão da lancha – o lancheiro, pois não posso chamá-lo de capitão após o ocorrido – jogasse o cabo, diante do que ele respondeu que não tinha nenhum cabo a não ser o da âncora.

Com cara de espanto, o rapaz do posto, vendo que a embarcação vinha rápido e estava sem defensas, pediu para ele diminuir a velocidade e colocar as defensas, para proteger a lancha. Sem reduzir a velocidade, o lancheiro pegou uma defensa pequena, daquelas de bote de pesca, e, em vez de amarrá-la para proteger o casco, jogou-a para o rapaz do posto, que até a deixou a cair na água de tão abismado que ficou… A lancha bateu no píer com barulho de fibra quebrando, mesmo com o rapaz do posto tentando segurá-la. Enquanto isso, da minha popa, eu via a embarcação virando e vindo por inércia com o motor de popa em direção à popa do meu veleiro: quase bateu, mas o rapaz do posto conseguiu segurar a lancha e evitar o abalroamento. Ficamos praticamente popa com popa. Muito perto para meu conforto. O dono da lancha então olhou em volta, como se nada tivesse acontecido, e pediu para encher o tanque de gasolina. O rapaz do posto pediu para abrir a tampa do tanque, e o lancheiro disse que não sabia onde era… Complicado… O bebê chorando? A mãe estava lambuzando o rosto do garoto com protetor solar e estava entrando nos olhos… haja!!! Enquanto o rapaz do posto segurava a lancha com uma mão e abastecia com a outra, pois o dono da lancha não se deu nem ao trabalho de descer para segurá-la, este gritava com a mulher que não aguentava mais, que estava ali para relaxar e que ela devia fazer a criança parar de chorar… Terminado o abastecimento, o lancheiro não quis ir até a cabine do posto pagar, nem descer para segurar a lancha. Seu amigo parecia em transe bebendo cerveja na proa aberta e conversando com a outra mulher, ambos deitados em uma daquelas boias de puxar pessoas como esqui aquático. O rapaz do posto soltou a lancha e foi correndo pegar a máquina de pagamento; quando voltou, a lancha já batia no píer. O lancheiro permanecia inabalável, como se nada estivesse acontecendo. Pagou, virou para o volante, ligou a lancha e, sem dar tempo de o rapaz do posto empurrar a embarcação para longe do píer, arrancou raspando a lateral até que virou o volante da lancha, que virou rápido e bateu no píer o canto da popa e o motor. Por sorte a hélice não acertou a parte baixa do píer, mas o canto da popa tirou um pedaço. Então ele arrancou acelerando, com a mãe e a criança cambaleando para trás e caindo no cockpit. Um perigo!!! Devia ter filmado!!! “É”, pensei, “começou a temporada de perigo no mar…”

É certo que, talvez, tenha acontecido assim…

Leia o primeiro relato clicando aqui.

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil… nessa ordem! 🙂


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